Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

VIII - Diário de Maria

            Mesmo depois de o Miguel lhe mostrar que a ama, independentemente de tudo, ela não consegue esquecer tudo o que se passou na sua vida: um amor, uma filha, uma vida destruída, o resto de uma vida sem poder ver…
            Chega a noite e todos se vão deitar, já mais tarde a Maria levantasse, não conseguia dormir, a confusão reinava na sua cabeça, ela saiu de casa. Estava frio, passava por ali um carro ou outro, a Maria ia se guiando mentalmente pelas ruas que já conhecia desde pequena e que todos os dias, passava por ali, agora a diferença é que fazia aquele trajecto na escuridão mais sombria do que a própria noite. Ao caminhar, desequilibra-se e cai, volta a levantar-se!!!
            Volta a caminhar até chegar onde queria. Estava ali perto do mar, aquele era o seu lugar que sempre a ajudou a relaxar e a pensar. E acabou por ficar ali a noite inteira.
 
            No outro dia de manhã, todos lá em casa acordam e começam a tomar o pequeno-almoço, a Maria por norma era sempre das primeiras a acordar e então a mãe decidiu ver o que se passava. E quando a mãe entra no quarto a cama estava intacta e não havia sinais da sua filha ali estar, no entanto estava um pequeno gravador em cima da cama, que Maria tinha utilizado como diário destes dias diferentes da sua vida:
 
            “Dia 1 – Não acredito que isto me esteja a acontecer, não vejo nada, não posso ver a minha filha e tenho medo de lhe tocar, posso magoá-la ou deixá-la cair. Já a ouvi a chorar e até lhe toquei na cara, tem uma pele tão querida e fofa e quando lhe toquei ela manteve-se calma, como se soubesse quem eu sou.
 
            Dia 5 – … Não aguento mais com isto, vou dar em doida! Quero morrer…
 
 
            Olá a todos! Neste momento eu estou por aí, precisei de sair de casa porque não estava a aguentar mais estar aqui. É difícil para vocês imaginarem algo como isto, mas na minha situação o desespero já é grande.
            Portanto, peço que não me levem a mal, mas não estava mesmo a aguentar esta minha vida, eu não nasci para isto. E independentemente do que se passará hoje, depois de eu decidir o que fazer da minha vida, não me levem a mal, peço-vos que me compreendam! Cuidem da minha filha como até agora o fizeram, sei que fica em boas mãos. Gosto muito de todos vocês…”
            Toda a gente fica preocupada, até que a campainha toca!
            Era o Miguel…
RM
Sinto-me:

Domingo, 22 de Outubro de 2006

VII - Diário de Maria

            Embora triste, o Miguel saiu da sala, fez à vontade à Maria. Ela precisava de espaço!
            No dia seguinte a Maria estava preparada para regressar a casa e adaptar-se à nova vida. Mas ela estava muito magoada e passava os dias fechada no seu quarto e não queria que ninguém estivesse lá dentro! Da sua filha, simplesmente conhecia o seu rosto, as suas mãos, os seus pezinhos, tudo através de um simples toque. Tinha medo de pegar-lhe, podia deitá-la no chão, e a maior parte da sua revoltada era mesmo por não poder acompanhar melhor o crescimento dela.
 
            Dia após dia, a Maria parecia mais revoltada com o que o futuro lhe tinha reservado, respondia mal às pessoas, estava constantemente mal-humorada, a vida dela tinha-se transformado num inferno que ela não desejava viver!
 
            Um dia o Miguel entre no seu quarto e tenta falar com ela:
            - Olá, tenho andado a ganhar coragem para falar contigo.
            - Sim e que queres?
            - Que as coisas voltem ao normal…
            - … normal??? As coisas nunca mais voltaram ao normal…
            - Voltarão se assim o quiseres.
            - … eu não sou normal! Deixei de o ser!
            - Não digas isso … Antes de tudo isto acontecer eu amava-te e agora, mesmo depois de estares assim tão brusca connosco, continuo a te amar. Porque eu não te amo por seres alto ou baixa, gorda ou magra, morena ou loura… amo-te pelo que és!
 
            A Maria desviasse do Miguel e vai até perto da Janela. Ele segue-a e abre a janela, entra uma brisa que bate na cara dela.
            - Sentes a brisa que te bate na cara?
            - Sim…
            - Para senti-la e saber como é, não precisamos de a ver só de senti-la!
 
            O Miguel envolve-a em seus braços e os dois acabam por se beijar…
RM
Sinto-me: Bemmm!!!

Sábado, 7 de Outubro de 2006

VI - Diário de Maria

            O Miguel foi o mais rápido possível para o Hospital e quando lá chegou, os Médicos que acompanharam a Maria durante todo este tempo, falaram com ele.
            A Maria durante estas semanas tinha sofrido lesões graves e que se tornaram irreversíveis: - Infelizmente a Maria não irá recuperar a visão!
 
            Cega, a Maria estava cega! Embora tenha acordado, não consegue ver a luz do dia, nem irá ver o rosto da sua filha!
 
            O Miguel entrou no desespero, não sabia ao certo o que iria fazer. Como iria enfrentar a nova realidade que o esperava, como não transmitir à mulher que ama, que está triste com o acontecido e que não sabe como lidar com a situação.
 
            Miguel entrou na sala onde a Maria estava, ela encontrava-se ao fundo da sala, ele hesitou na sua entrada.
 
-         “És tu Miguel?”
 
Ele manteve-se no silêncio, não conseguia soltar uma palavra que fosse!!!
Avançou e agarrou-lhe no ombro! – Estás bem?
-         Como achas que estou? Como está a minha filha?
-         Não sei como estás, mas imagino...
-         ...imaginas? Como podes imaginar??? Não vou poder ver a minha filha! Não vou poder fazer o que sempre gostei de fazer!!! E dizes que ainda podes imaginar, cala-te que não sabes o que dizes.
 
E novamente o silêncio voltou à sala, Maria estava revoltada com o que o destino lhe tinha aguardado, sem querer magoou o Miguel com o gelo das suas palavras!!!
 
-         Saí... – pediu-lhe Maria.
-         Saí... por favor.- começa a chorar!
 
A nova realidade da Maria começava agora a ser outra, tudo o que estava habituada a ver, agora passa apenas a ser fruta das suas recordações. Da sua filha, tem, simplesmente, a recordação do seu nascimento. E esta é a maior mágoa que, neste momento, guarda dentro de si.
 
                        Para Maria, tudo está a começar, agora, será que acaba por aqui???
 
            [Bem é verdade, podem-me chamar de vadio!!! Como alguns de vós devem ter visto no meu outro Blog – Criticalhando – fui de férias, todos nós precisamos de descansar e de dar resposta aos nossos timings. Depois das férias, que souberam muito bem, conseguir voltar a escrever algumas linhas desta história, dando uma volta ao inial que tinha sido pensado, vamos lá ver como termina e como dizia o outro: - Não perca o próximo episódio, porque eu também não!!!]
Sinto-me: Cheio de Energia...

Eu


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